Estudo revela que morte súbita é a principal causa de óbito entre fisiculturistas
27 MAI

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 3 dias
4517 4 minutos de leitura

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, que faleceu aos 22 anos devido a uma cardiomiopatia hipertrófica, trouxe à tona uma discussão importante sobre os riscos cardiovasculares no fisiculturismo. A condição, que provoca o espessamento anormal do músculo do coração, está no centro de um estudo recente publicado no European Heart Journal, que revelou que a morte súbita cardíaca é a principal causa de óbito entre atletas dessa modalidade.

O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Pádua, na Itália, analisou dados de 20.286 atletas que participaram de competições da Federação Internacional de Fitness e Fisiculturismo (IFBB) entre 2005 e 2020. Durante o período observado, foram registradas 121 mortes, das quais 46, ou 38%, foram classificadas como mortes cardíacas súbitas. Este número é alarmante e destaca a gravidade do problema na comunidade de fisiculturismo.

Os pesquisadores notaram que, nas autópsias de atletas que faleceram repentinamente, frequentemente havia evidências de aumento do coração e hipertrofia ventricular, condições que podem levar a arritmias graves e insuficiência cardíaca. Além disso, o estudo apontou que fisiculturistas profissionais têm um risco mais de cinco vezes maior de sofrer morte súbita em comparação com atletas amadores.

Embora o fisiculturismo envolva um treinamento físico rigoroso, a preparação para competições muitas vezes inclui práticas que podem ser prejudiciais à saúde, como restrição calórica severa, desidratação excessiva, uso de diuréticos e substâncias para aumento de massa muscular. O uso de esteroides anabolizantes também foi identificado como um fator de risco significativo, uma vez que essas substâncias podem causar hipertensão, alterações estruturais no coração e predisposição a arritmias fatais.

Gabriel Ganley, que acumulava cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram, era conhecido por compartilhar conteúdos sobre musculação e sua rotina fitness. Entre 2023 e 2024, ele participou de competições de fisiculturismo natural, que proíbem o uso de substâncias para melhorar o desempenho. Contudo, em 2024, Ganley revelou que havia começado a usar anabolizantes e insulina, o que, segundo ele, ocasionou episódios de "confusão mental" e sudorese excessiva.

O estudo conclui que a crescente popularidade do fisiculturismo e da cultura de hipertrofia, especialmente nas redes sociais, se tornou uma questão de saúde pública que afeta não apenas atletas profissionais, mas também frequentadores comuns de academias. Os autores do estudo defendem a necessidade de um acompanhamento médico mais rigoroso, melhorias nos controles antidoping e estratégias preventivas voltadas para todos os praticantes de atividades físicas.

Desta forma, o caso de Gabriel Ganley não deve ser visto apenas como uma tragédia isolada, mas como um alerta para todos os envolvidos no fisiculturismo. A pesquisa evidencia que a morte súbita cardíaca é uma questão recorrente nesse meio, o que exige uma reflexão profunda sobre a saúde dos atletas. Em resumo, a cultura de hipertrofia não pode prevalecer sobre a saúde e a segurança dos praticantes.

Assim, é crucial que medidas de prevenção sejam implementadas, não apenas para os fisiculturistas profissionais, mas também para aqueles que frequentam academias em busca de um corpo ideal. É importante promover uma cultura de saúde que priorize o bem-estar em vez de resultados extremos. Portanto, é fundamental que haja um aumento na conscientização sobre os riscos da utilização de substâncias como esteroides e hormônios.

Encerrando o tema, a responsabilidade não deve recair apenas sobre os atletas, mas também sobre a indústria do fitness e as plataformas que promovem esse estilo de vida. Medidas como acompanhamento médico regular e educação sobre saúde cardíaca são essenciais para prevenir tragédias semelhantes no futuro.

Finalmente, a comunidade médica e os responsáveis por regulamentações esportivas devem trabalhar juntos para estabelecer diretrizes claras que garantam a segurança dos atletas. O caminho para uma prática saudável no fisiculturismo deve ser trilhado com responsabilidade e informação.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.