Exame de Sangue Pode Revelar Sinais de Alzheimer Anteriormente a Sintomas
28 MAI

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 1 dia
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Um novo estudo publicado na revista The Lancet indica que exames de sangue podem identificar proteínas ligadas à doença de Alzheimer em adultos de meia-idade, mesmo na ausência de sintomas de demência. Esta pesquisa destaca que altos níveis dessas proteínas, conhecidas como biomarcadores, estão associados a um maior risco de declínio cognitivo. No entanto, a presença desses biomarcadores não deve ser considerada um diagnóstico definitivo de Alzheimer.

A investigação foi realizada por pesquisadores de diversas universidades dos Estados Unidos e envolveu a análise de exames de sangue de 1.350 adultos sem demência, que fazem parte de um estudo sobre risco cardiovascular que ocorre há quatro décadas. A média de idade dos participantes era de 61 anos, e o grupo incluía 55% de brancos e 45% de negros, refletindo uma amostra diversificada da população.

De acordo com as pesquisadoras Anna Rosenberg e Tiia Ngandu, a diversidade e o tamanho da amostra são grandes pontos fortes do estudo. Elas destacam que 6% dos participantes apresentaram níveis elevados de proteínas beta-amiloide e tau, que estão relacionadas ao desenvolvimento do Alzheimer. Essas proteínas são conhecidas por sua associação com o risco e a progressão da doença.

Eduardo Zimmer, farmacêutico e pesquisador do Hospital Moinhos de Vento, esclarece que um resultado positivo para o aumento dessas proteínas não implica que a pessoa desenvolverá demência. "Os biomarcadores positivos indicam um aumento do risco, mas muitas pessoas podem manter a cognição ao longo dos anos, possivelmente devido a fatores protetores como genética e estilo de vida".

Além disso, os biomarcadores estão ligados a um risco maior de problemas cognitivos, como a diminuição da velocidade de processamento de informações e da função executiva, que inclui habilidades como planejamento e adaptação a novas situações. O aumento das proteínas pode também impactar negativamente a memória verbal e a capacidade de comunicação, além de resultar em piores desempenhos em testes de raciocínio ao longo do tempo.

No entanto, a análise de biomarcadores não é recomendada para toda a população. Segundo Lucas Mella, psiquiatra e diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), a dosagem das proteínas tau e beta-amiloide deve ser realizada apenas em pessoas que já apresentam sintomas da doença, como perda progressiva das capacidades cognitivas, especialmente em relação à memória.

Além disso, a avaliação das proteínas pode ser útil para identificar formas atípicas de demência e para pacientes diagnosticados com Alzheimer que são candidatos a terapias modificadoras da doença, como tratamentos que visam eliminar placas de beta-amiloide no cérebro.

Desta forma, a pesquisa traz um avanço significativo para a detecção precoce do Alzheimer, um desafio que afeta milhões de pessoas no mundo. A possibilidade de identificar sinais da doença antes do aparecimento dos sintomas permite um acompanhamento mais eficaz e, quem sabe, a implementação de intervenções que possam retardar sua progressão.

No entanto, é crucial que os resultados sejam interpretados com cautela. A presença de biomarcadores não garante que a pessoa desenvolverá a doença, o que reforça a necessidade de uma abordagem equilibrada e fundamentada na análise clínica individual. Somente aqueles que já apresentam sinais de comprometimento cognitivo devem ser submetidos a este tipo de exame.

Assim, a recomendação dos especialistas é que a população em geral mantenha hábitos saudáveis e busque orientação médica quando perceber alterações nas funções cognitivas. A prevenção é sempre o melhor caminho, e a pesquisa reforça a importância de um estilo de vida que favoreça a saúde cerebral.

Além disso, o estudo ressalta a necessidade de mais pesquisas que explorem as variáveis genéticas, ambientais e comportamentais que podem influenciar na saúde cognitiva ao longo da vida. É fundamental que novas soluções e tratamentos sejam desenvolvidos para combater o Alzheimer, uma doença que ainda gera muitos desafios para a medicina moderna.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.