Longevidade vai além da expectativa de vida, aponta conferência da Universidade Stanford
28 MAI

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 2 dias
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A longevidade não deve ser vista apenas como um número que representa a expectativa de vida, mas sim como um conceito que envolve motivação, propósito e saúde mental. Este foi o principal destaque da Conferência de Envelhecimento Saudável, promovida pelo Programa de Medicina do Estilo de Vida da Universidade Stanford, que ocorreu no início deste mês. O evento trouxe à tona a discussão sobre a importância de se ter projetos e objetivos, além de cultivar a alegria e o engajamento social na terceira idade.

A médica geriatra Louise Aronson, que é professora de medicina na Universidade da Califórnia em São Francisco, enfatizou que a motivação é um fator essencial para a saúde e a recuperação de pessoas idosas. Ela observou que, mesmo em situações adversas, como a realização de quimioterapia ou a recuperação pós-cirúrgica, muitos enfrentam esses desafios com mais disposição quando têm um objetivo claro, como participar de um evento familiar importante, como a formatura ou o casamento de um neto.

O conceito de “prescrição social”, ou social prescribing, foi introduzido por Aronson como uma alternativa às receitas médicas tradicionais. Em vez de medicações, a ideia é conectar pessoas idosas a atividades e redes de apoio que promovam sua saúde e bem-estar. "As conexões sociais são tão importantes quanto a atividade física para manter a saúde", destacou a geriatra.

Barbara Waxman, uma gerontóloga e consultora do Centro de Longevidade de Stanford, também participou do evento e reforçou que o envelhecimento não deve ser associado apenas ao declínio. Segundo ela, a partir dos 60 anos, muitas pessoas encontram um sentido maior para suas vidas e se tornam mais conscientes da importância dos relacionamentos.

Waxman pediu que todos se envolvessem no desafio de identificar o que traz alegria em suas vidas, sugerindo que as pessoas façam uma lista diária de pequenos prazeres, como o ritual do café da manhã, observar o nascer do sol ou brincar com os netos. Essas pequenas ações podem ter um grande impacto na qualidade de vida.


Desta forma, a discussão sobre longevidade deve ser ampliada para incluir aspectos emocionais e sociais. O foco na expectativa de vida, embora importante, não abrange a totalidade do que significa envelhecer com qualidade. Precisamos reconhecer que as relações interpessoais e o sentido de propósito são fundamentais para uma vida saudável na terceira idade.

O conceito de prescrição social é um avanço significativo no cuidado com a saúde dos idosos. Promover a conexão e o engajamento pode fortalecer a rede de apoio necessária para enfrentar os desafios do envelhecimento. Essa abordagem pode ser a chave para melhorar não apenas a saúde física, mas também a saúde mental da população idosa.

Além disso, é essencial que a sociedade como um todo mude sua percepção sobre o envelhecimento. O estigma de que a velhice é sinônimo de fraqueza e declínio deve ser superado. O foco deve ser nas capacidades e no potencial de contribuição dos mais velhos para a comunidade.

Portanto, ao considerarmos políticas públicas e iniciativas voltadas para a terceira idade, é crucial incluir programas que incentivem o engajamento social e a busca de propósitos significativos. Somente assim poderemos construir um futuro mais inclusivo e saudável para todas as idades.

Finalmente, a mensagem que fica é a de que a longevidade deve ser celebrada não apenas pelo tempo de vida, mas pela qualidade desse tempo. Se cada um de nós se dedicar a cultivar relacionamentos e buscar o que nos traz alegria, o envelhecer pode ser uma fase rica e cheia de significados.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.