Ministério da Saúde promove troca de insulina no SUS por opção mais moderna
09 FEV

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 2 meses
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O Ministério da Saúde do Brasil iniciou um processo de troca no tratamento de diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS), substituindo a insulina NPH pela insulina glargina, que é uma opção mais moderna e eficiente. A mudança começou com um projeto-piloto que abrange os estados do Amapá, Paraná, Paraíba e o Distrito Federal. O foco inicial está em crianças e adolescentes até 17 anos que convivem com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais, que podem ter diabetes tipo 1 ou tipo 2.

A nova insulina glargina oferece a vantagem de uma única aplicação diária, o que torna o tratamento mais simples e menos invasivo para os pacientes. Com a nova abordagem, espera-se que mais de 50 mil pessoas sejam beneficiadas nesta primeira fase da implementação. O Ministério da Saúde planeja avaliar os resultados desse início para elaborar um cronograma de expansão que incluirá outros estados.

A escolha dos quatro estados para iniciar a troca foi baseada em critérios que consideram a representatividade regional e a capacidade de implementação, com o intuito de possibilitar uma avaliação das diferentes realidades do país. As equipes de saúde que atuarão no projeto receberam treinamento específico no uso das canetas aplicadoras de insulina e na administração do novo medicamento. Esses treinamentos, realizados em parceria com a Fiocruz e o laboratório brasileiro Biomm, começaram em 27 de janeiro e devem ser concluídos até meados de fevereiro.

A mudança no tratamento é resultado de um trabalho conjunto de um Grupo de Trabalho da Insulina, criado pelo ministério em novembro do ano passado. Esse grupo realizou estudos sobre o acesso ao hormônio no SUS, especialmente diante da escassez global de insulina NPH, que levou à falta do medicamento para muitos pacientes nos últimos anos.

Além de facilitar o acesso à insulina glargina, o projeto busca garantir a autonomia do Brasil na produção desse medicamento. Para isso, foi estabelecida uma parceria conhecida como Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), que envolve a Fiocruz, a Biomm e a empresa chinesa Gan & Lee. Desde 2025, essa parceria já forneceu mais de 6 milhões de unidades da nova insulina ao SUS, com um investimento total de R$ 131 milhões. A expectativa é que até o final de 2026, a capacidade de produção atinja 36 milhões de unidades, garantindo assim o abastecimento adequado do SUS.

O fortalecimento da produção nacional de insulina é fundamental, especialmente em um contexto de escassez global. Além da insulina glargina, o Ministério da Saúde também está desenvolvendo uma parceria para a fabricação de insulina NPH e regular, através do laboratório indiano Wockhardt, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e a Biomm. A transferência de tecnologia para essa produção já começou, com um contrato que prevê a entrega de 8 milhões de unidades até 2026, das quais quase 2 milhões já foram entregues, com investimento de R$ 142 milhões do governo federal.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a expansão do acesso a tratamentos para diabetes no SUS é uma demonstração clara da importância de fortalecer o complexo industrial brasileiro. Essa medida faz parte de uma política do governo federal que visa utilizar o poder de compra do SUS para impulsionar o desenvolvimento industrial do país, assegurando, assim, o acesso a medicamentos gratuitos e a assistência farmacêutica para a população.

Desta forma, a troca de insulina no SUS representa um avanço significativo na qualidade do tratamento para diabetes no Brasil. A implementação da insulina glargina pode melhorar a adesão dos pacientes ao tratamento, reduzindo complicações associadas à doença. A parceria entre o governo e empresas brasileiras para produção local é um passo importante rumo à autonomia no fornecimento desse medicamento essencial.

Além disso, a escolha de priorizar crianças e idosos para a introdução da nova insulina demonstra um compromisso com os grupos mais vulneráveis, que frequentemente enfrentam maiores dificuldades no acesso a tratamentos adequados. A avaliação dos resultados dessa fase inicial será crucial para garantir que a expansão do programa atenda às necessidades de todos os pacientes diabéticos no país.

É essencial que o Ministério da Saúde continue a monitorar o impacto das mudanças e a eficácia do novo tratamento, garantindo que os recursos sejam utilizados de forma eficiente e que os pacientes recebam o suporte necessário para sua adaptação. O fortalecimento do complexo industrial brasileiro, promovido por meio dessa iniciativa, pode servir como modelo para outras áreas da saúde.

Finalmente, a implementação de inovações no SUS deve ser acompanhada de perto, para assegurar que a população receba não apenas novos medicamentos, mas também a assistência contínua, educação e acompanhamento necessário para o manejo efetivo da diabetes. Com isso, espera-se que o Brasil possa avançar significativamente no controle e tratamento dessa condição crônica.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.