Novo teste molecular de HPV substituirá Papanicolau no SUS e identifica mais casos de infecção
29 MAI

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 1 dia
4556 5 minutos de leitura

Um novo teste molecular para detectar o papilomavírus humano (HPV) está prestes a substituir o tradicional exame de Papanicolau no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa mudança ocorre devido à eficácia do novo método, que consegue identificar quase quatro vezes mais casos de infecção pelo HPV, principal causador do câncer de colo de útero. O estudo que embasa essa decisão foi realizado em diferentes regiões do Brasil e mostrou que o novo teste apresenta uma taxa de positividade de aproximadamente 25%, em comparação a apenas 5,7% do Papanicolau.

O Ministério da Saúde já iniciou a implementação desse teste em 12 estados, com o objetivo de expandir a cobertura para todo o país até o final de 2026. O novo método foi testado em 4.173 mulheres com idades entre 20 e 69 anos, que foram submetidas simultaneamente ao Papanicolau e ao exame molecular. O especialista em Citopatologia e Oncologia Molecular, Marco Zonta, que liderou o estudo, destaca a importância de métodos eficazes para a detecção precoce do HPV.

O teste molecular não só aumenta a taxa de identificação de casos de HPV, mas também é capaz de detectar 14 genótipos do vírus classificados como de alto risco, que estão associados a lesões e ao câncer. A detecção precoce é crucial, pois permite o tratamento antes que o câncer se desenvolva, aumentando as chances de cura.

A relevância deste estudo é evidente, especialmente considerando que a vacina contra o HPV, introduzida em 2014, não abrangeu todas as faixas etárias, deixando mulheres mais velhas vulneráveis ao vírus. Zonta ressalta que a prevalência do HPV é mais significativa em mulheres de 35 a 60 anos, grupo que não foi contemplado pela vacinação.

A mudança no protocolo de exames no Brasil é uma resposta a uma necessidade crescente de métodos de rastreamento mais eficazes. A nova abordagem não apenas melhora a detecção do HPV, mas também promete reduzir a necessidade de exames e intervenções desnecessárias, permitindo intervalos maiores entre as coletas quando os resultados são negativos.

Além disso, a implementação do teste molecular permitirá um rastreamento mais equitativo, alcançando mulheres em áreas remotas onde o acesso a serviços de saúde é limitado. O teste é realizado com uma amostra cervical coletada de forma semelhante ao Papanicolau, mas com resultados muito mais confiáveis.

Os benefícios econômicos para a rede pública também são um ponto de destaque. Com a detecção precoce, o tratamento pode ser iniciado antes que o câncer se desenvolva, o que pode significar uma redução nos custos de tratamento no longo prazo.

Os resultados do estudo foram apresentados pela primeira vez no Brasil durante o Cervicolp 2026, um importante encontro sobre saúde, e ainda não foram publicados em revistas científicas. Contudo, as informações já estão sendo compartilhadas com as secretarias de saúde em todo o país, visando uma implementação rápida e eficiente da nova política de rastreamento.

Desta forma, a adoção do teste molecular de HPV representa um avanço significativo na saúde pública brasileira. A identificação precoce de infecções é vital no combate ao câncer de colo de útero, uma doença que, se detectada a tempo, pode ser tratada com sucesso.

Além disso, a mudança no protocolo de exames reflete uma preocupação com a saúde das mulheres, especialmente das que estão fora do alcance da vacinação contra HPV. Essa iniciativa pode salvar vidas e reduzir a incidência da doença no país.

É fundamental que a implementação do novo teste ocorra de forma rápida e eficaz em todo o território nacional, garantindo que todas as mulheres tenham acesso a esse método de rastreamento. A saúde da população deve ser a prioridade em qualquer política pública.

Por fim, a expectativa é que, com a ampliação do uso do teste molecular, o Brasil consiga não apenas detectar mais casos de HPV, mas também diminuir a mortalidade associada ao câncer de colo de útero, promovendo assim uma saúde mais equitativa e acessível para todos.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.