Pacientes com Doença de Chagas apresentam maior risco durante tratamento de arritmias
02 JUN

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 1 hora
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Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) revelou que pacientes diagnosticados com Doença de Chagas que apresentam arritmias graves enfrentam um risco aumentado durante o tratamento. A pesquisa, publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas, mostrou que diversas causas contribuem para a mortalidade desses pacientes em procedimentos que envolvem a inserção de cateteres.

A pesquisa indicou que os pacientes que sofrem de Doença de Chagas e são submetidos a ablação por cateter — um procedimento minimamente invasivo utilizado para tratar arritmias cardíacas — têm uma taxa de mortalidade por causas não cardíacas até 2,41 vezes maior em comparação com aqueles que têm outros tipos de doenças cardíacas.

A ablação por cateter é um método que cauteriza os pontos do coração responsáveis pelo "curto-circuito" que causa a arritmia. Contudo, para pacientes com Doença de Chagas, este procedimento se torna mais complexo, exigindo a realização de etapas adicionais, como o acesso à camada externa do coração. Essa necessidade foi observada em 78% dos casos de pacientes chagásicos, um índice significativamente mais alto do que os 15% registrados entre pacientes com cardiopatia isquêmica, que é caracterizada pelo estreitamento das artérias coronárias.

O estudo analisou dados de 378 procedimentos realizados em 288 pacientes atendidos no Instituto do Coração do HCFMUSP entre os anos de 2011 e 2020. Os pesquisadores ressaltam que os resultados destacam a importância de um acompanhamento rigoroso não apenas das arritmias, mas também da insuficiência cardíaca e de outras comorbidades associadas aos pacientes chagásicos, mesmo após a alta hospitalar.

Rodrigo Melo Kulchetscki, um dos autores do estudo e doutorando em Cardiologia pela USP, enfatiza a necessidade de melhorar a assistência à saúde dos pacientes com Doença de Chagas de forma geral. Ele lembra que a maior parte dessa população é atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que reforça a urgência de um olhar mais atento para a complexidade do tratamento dessa doença.

Desta forma, a pesquisa realizada pela USP lança luz sobre um tema crítico: a complexidade do tratamento de arritmias em pacientes com Doença de Chagas. Este é um grupo que, historicamente, tem enfrentado desafios significativos em termos de acesso a cuidados adequados.

O fato de que esses pacientes apresentam um risco elevado de mortalidade por causas não cardíacas durante procedimentos cirúrgicos destaca a necessidade de protocolos mais robustos. Isso implica em um acompanhamento contínuo e especializado, que deve incluir não apenas cardiologistas, mas também uma equipe multidisciplinar.

Em resumo, a situação demanda uma resposta do sistema de saúde brasileiro, que deve ser capaz de proporcionar um atendimento mais eficaz e humanizado. É fundamental que as políticas de saúde pública considerem as especificidades dos pacientes chagásicos.

Finalmente, a conscientização sobre a Doença de Chagas e suas complicações deve ser ampliada, tanto entre os profissionais de saúde quanto na população em geral. Apenas assim será possível garantir uma assistência mais adequada e prevenir desfechos adversos.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.