Pesquisa nos EUA testa implante de células-tronco para tratamento de Parkinson
08 FEV

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 2 meses
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Cientistas da Keck Medicine, da Universidade do Sul da Califórnia, iniciaram um ensaio clínico que pode revolucionar o tratamento da doença de Parkinson. Essa pesquisa investiga o uso de células-tronco cultivadas em laboratório, que são implantadas diretamente no cérebro. O objetivo é restaurar a capacidade do cérebro de produzir dopamina, um neurotransmissor cuja falta é responsável por diversos sintomas da doença.

A doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica que progride gradualmente. Atualmente, existem tratamentos disponíveis que ajudam a aliviar os sintomas, mas não há uma cura definitiva ou uma terapia que possa retardar significativamente o avanço da enfermidade. A deficiência de dopamina, que é crucial para o controle de movimento, memória e humor, resulta em sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão nas atividades motoras.

A nova abordagem envolve o uso de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs). Diferentemente das células-tronco embrionárias, as iPSCs são obtidas a partir de células adultas, como as da pele ou do sangue, que são reprogramadas para se transformarem em qualquer tipo de célula do corpo. No contexto deste estudo, essas células são convertidas em neurônios que produzem dopamina. O neurologista Xenos Mason, da Keck Medicine e copesquisador do estudo, afirmou que "acreditamos que essas células podem amadurecer de forma confiável e oferecer a melhor chance de reiniciar a produção de dopamina no cérebro".

O procedimento cirúrgico para a implantação das células-tronco envolve uma pequena abertura no crânio. Durante a operação, os médicos utilizam imagens de ressonância magnética em tempo real para inserir as células nos gânglios basais, que são as áreas do cérebro responsáveis pelo controle dos movimentos. Após a cirurgia, os pacientes serão monitorados durante um período de 12 a 15 meses para avaliar melhorias em sua capacidade motora e possíveis efeitos colaterais. O acompanhamento a longo prazo deve se estender por até cinco anos.

O neurocirurgião Brian Lee, que é o principal investigador do estudo, destacou que "se o cérebro puder voltar a produzir níveis normais de dopamina, é possível que a progressão da doença de Parkinson seja retardada, além de haver a possibilidade de restaurar a função motora dos pacientes".

A terapia, chamada RNDP-001, foi desenvolvida pela Kenai Therapeutics e recebeu o status de "fast-track" da FDA, o órgão regulador de medicamentos dos Estados Unidos. Isso significa que o processo de revisão e desenvolvimento da terapia será acelerado. A Keck Medicine é um dos três centros nos EUA que participam deste ensaio clínico inicial, que conta com 12 voluntários que apresentam estágios moderados a graves da doença. O objetivo final dos pesquisadores é estabelecer uma técnica que possa reparar funções motoras e proporcionar uma qualidade de vida significativamente melhor aos pacientes que atualmente enfrentam as limitações impostas pela doença de Parkinson.

Desta forma, a pesquisa em andamento na Universidade do Sul da Califórnia representa um avanço significativo no entendimento e tratamento da doença de Parkinson. A utilização de células-tronco para restaurar a produção de dopamina é uma abordagem inovadora que pode abrir novas portas para a medicina regenerativa.

Além disso, a possibilidade de uma terapia que não apenas trate os sintomas, mas que atue na causa da doença, é algo que a comunidade científica há muito tempo busca. É fundamental que os resultados deste estudo sejam acompanhados com atenção, pois podem impactar milhões de pessoas que vivem com Parkinson.

O status de "fast-track" concedido pela FDA é um indicativo de que a pesquisa tem potencial para avançar rapidamente, mas também destaca a necessidade de um acompanhamento rigoroso e ético dos voluntários envolvidos. A segurança e a eficácia da terapia devem ser prioridades inegociáveis.

Por fim, é necessário que a sociedade e o governo apoiem iniciativas que busquem desenvolver novas terapias e tratamentos para doenças degenerativas como o Parkinson. A pesquisa é um pilar essencial para a melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas que enfrentam esse desafio diariamente.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.