Pesquisadora de Stanford destaca a força do nosso modelo mental e a importância de desconstruir estigmas
31 MAI

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 1 hora
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A psicóloga Alia Crum, professora da Universidade Stanford e líder do Laboratório de Corpo e Mente (Mind & Body Lab), afirma que nosso modelo mental pode ser uma poderosa ferramenta para nos tornarmos mais fortes. Durante sua palestra na Conferência de Envelhecimento Saudável, ela abordou como as crenças que temos podem moldar nossa realidade e influenciar nossa saúde mental e física.

Crum iniciou sua apresentação explicando o conceito do efeito placebo. Este fenômeno mostra que, mesmo quando um medicamento não possui princípio ativo, a crença de que ele é eficaz pode ativar os mecanismos de cura do corpo. "Nossas mentes têm o poder de mudar a realidade. A forma como enxergamos as situações influencia nosso foco e afeta os resultados finais que conseguimos alcançar", destacou.

A pesquisadora apresentou dados que demonstram como a percepção pode alterar comportamentos. Em uma experiência realizada no refeitório da universidade, cenouras foram descritas de duas maneiras diferentes. Quando apresentadas como um prato pouco calórico, seu consumo caiu drasticamente. No entanto, ao serem apresentadas como uma iguaria com molho cítrico, a demanda aumentou em 45%. "As crenças sobre a comida moldam a reação do corpo. Isso não se aplica apenas à alimentação; a informação que priorizamos impacta a forma como nosso corpo reage", explicou.

Outra experiência relevante mencionada por Crum envolveu 84 trabalhadoras de hotel. Apesar de suas funções serem fisicamente exigentes, dois terços delas afirmavam que não se exercitavam. Após um acompanhamento que as incentivou a ver suas atividades diárias como uma forma de exercício físico, aquelas que mudaram sua perspectiva melhoraram seus níveis de pressão arterial e até perderam peso.

Crum também citou um estudo da pesquisadora Becca Levy, que revelou que uma visão negativa da velhice pode reduzir a expectativa de vida dos idosos. "Precisamos mudar a bússola em relação ao que nos incomoda e desconstruir visões, estigmas e estereótipos que nos cercam", enfatizou a psicóloga.

Além de Crum, a fisiologista Stacy Sims também abordou a relevância do treinamento de força para um envelhecimento saudável. Segundo ela, essa prática é essencial para manter as capacidades físicas com o passar dos anos.

Sims introduziu o conceito do eixo músculo-osso-cérebro, que analisa como o sistema musculoesquelético se comunica com o sistema nervoso central. Essa comunicação, segundo a especialista, é crucial para a saúde geral, visto que músculos e ossos têm funções que vão além do movimento, atuando como órgãos que influenciam a saúde mental.

No contexto atual, em que o Ministério da Saúde do Brasil aponta um aumento significativo nos atendimentos de saúde mental entre crianças e adolescentes, a discussão sobre a importância de um modelo mental positivo e a desconstrução de estigmas se torna ainda mais relevante.

Desta forma, a palestra de Alia Crum nos leva a refletir sobre o impacto que nossas crenças têm na vida cotidiana. O reconhecimento de que a mente pode influenciar o corpo é um passo importante para promover mudanças positivas na sociedade. A desconstrução de estigmas é fundamental para que possamos lidar com a saúde mental de maneira mais eficaz.

Além disso, é importante ressaltar que a mudança de perspectiva em relação às atividades diárias pode trazer benefícios significativos. Ao considerarmos as tarefas cotidianas como oportunidades de exercício, podemos melhorar nossa saúde física e mental. Isso é especialmente relevante em um momento em que a saúde mental está sendo cada vez mais discutida.

Assim, a promoção de um ambiente que valorize a saúde mental e a reeducação sobre a velhice são essenciais para garantir uma sociedade mais saudável e resiliente. A educação e a conscientização sobre esses temas podem proporcionar um futuro melhor para as próximas gerações.

Finalmente, o trabalho de pesquisadores como Alia Crum e Stacy Sims é crucial para entendermos como a ciência pode contribuir para um envelhecimento saudável. É preciso que as informações sobre saúde sejam acessíveis a todos, de modo que cada indivíduo possa tomar decisões informadas sobre seu bem-estar.

Por meio de iniciativas que promovam a mudança de mentalidade e a desconstrução de estigmas, poderemos construir uma sociedade que valorize a saúde mental e física, apresentando um futuro mais promissor para todos.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.