Pesquisadores desenvolvem terapia com células-tronco para complicações após transplante de medula
25 MAI

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 1 hora
14807 4 minutos de leitura

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) estão à frente de um estudo inovador que busca tratar complicações graves que podem surgir após o transplante de medula óssea. Uma das principais preocupações é a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), que ocorre quando as células imunológicas do doador atacam o organismo do receptor, reconhecendo-o como um corpo estranho.

A DECH pode se manifestar em duas formas: a aguda, que aparece dentro dos primeiros 100 dias após o transplante, e a crônica, que pode surgir anos depois. A forma aguda geralmente afeta a pele e o sistema gastrointestinal, causando sintomas como vermelhidão, ardência, náuseas, cólicas e disfunção hepática. Por outro lado, a DECH crônica pode comprometer todo o corpo, resultando em rigidez nos movimentos, dificuldades respiratórias e úlceras.

Atualmente, o tratamento padrão para a DECH envolve o uso de corticosteroides, que ajudam a reduzir a inflamação causada pelo ataque das células de defesa. Contudo, muitos pacientes não respondem adequadamente a esses medicamentos, necessitando de alternativas mais agressivas ou de imunossupressores. A nova abordagem terapêutica, chamada MesenCell, utiliza células-tronco mesenquimais, que são extraídas da medula óssea de doadores, processadas em laboratório e armazenadas para uso.

A coordenadora do projeto e responsável técnica do Centro de Tecnologia Celular da PUCPR, Carmen Kuniyoshi Rebelatto, destacou que a terapia tem como objetivo atuar diretamente na causa da doença. "As células T e B são as principais responsáveis pelo ataque ao organismo do receptor. Nossa terapia visa diminuir a proliferação dessas células, o que conseguimos observar em testes laboratoriais", explicou.

O MesenCell é indicado para pacientes que não obtiveram melhora com os tratamentos tradicionais ou que não podem utilizá-los devido à toxicidade. Além disso, muitos dos medicamentos prescritos não estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). O grupo de pesquisa já realizou um estudo piloto com 11 pacientes que apresentavam DECH crônica, utilizando uma combinação de células-tronco diluídas com outra substância. Os resultados foram encorajadores, com metade dos participantes alcançando remissão completa.

Entre os participantes do estudo inicial, 75% apresentaram melhora significativa nos sintomas gastrointestinais, e 100% dos pacientes com problemas de pele, incluindo casos graves que causavam esclerodermia, uma condição que endurece a pele e reduz a mobilidade, também mostraram avanços positivos. Carmen ressaltou que a equipe conseguiu reverter esse processo.

A nova fase de testes clínicos está prevista para começar em setembro e será realizada em três centros de referência no Paraná: o Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, o Hospital Erasto Gaertner e o Hospital Nossa Senhora das Graças. O projeto é financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A equipe de pesquisa planeja, posteriormente, estabelecer uma parceria com empresas farmacêuticas para a produção em larga escala do medicamento.


Desta forma, a pesquisa da PUCPR representa uma esperança significativa para pacientes que enfrentam complicações após o transplante de medula óssea. A DECH é uma condição que pode comprometer severamente a qualidade de vida e a saúde dos afetados, tornando essencial o desenvolvimento de novas opções terapêuticas.

A proposta de utilizar células-tronco mesenquimais é um avanço importante, pois busca atuar na raiz do problema, em vez de apenas aliviar os sintomas. Se os testes clínicos confirmarem a eficácia do MesenCell, isso poderá mudar a forma como a DECH é tratada no Brasil e em outros lugares.

Além disso, a pesquisa destaca a importância de investimentos em ciência e tecnologia no país. Financiamentos adequados e parcerias com a iniciativa privada são fundamentais para viabilizar inovações que podem transformar a saúde pública.

Por fim, a expectativa é que, com o sucesso dos testes, o MesenCell possa se tornar acessível para todos os pacientes que necessitam, principalmente aqueles que atualmente não têm acesso a tratamentos eficazes. O desafio será garantir que essa nova terapia esteja disponível no SUS, beneficiando a população mais vulnerável.


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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.