Reconhecimento da Violência Obstétrica: Uma Realidade Silenciosa que Marca Mães
16 MAI

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 9 dias
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O momento do nascimento de um filho é, para muitas mulheres, uma experiência marcante e transformadora. No entanto, para algumas mães, esse evento se torna uma vivência permeada por sentimentos de medo, solidão e até humilhação, que frequentemente não são compreendidos ou nomeados no instante em que ocorrem. Surpreendentemente, a consciência de que sofreram violência obstétrica pode demorar anos para se manifestar.

A violência obstétrica é uma realidade que, ainda que silenciosa, está presente em muitos partos. Muitas mulheres relatam que, durante o trabalho de parto, enfrentaram situações de pressão psicológica, procedimentos realizados sem consentimento e uma profunda perda de autonomia sobre seus corpos. A dor e o sofrimento emocional, em muitas situações, são tratados como algo natural, como se fizessem parte da experiência de trazer uma nova vida ao mundo.

Na prática clínica, é comum que mulheres carreguem por longos períodos sentimentos de culpa, tristeza e raiva, sem conseguir associá-los à maneira como foram tratadas durante o parto. Muitas vezes, o reconhecimento do trauma só ocorre quando essas mulheres encontram um ambiente seguro para compartilhar suas experiências. O trauma, por sua vez, nem sempre se manifesta de forma clara; por vezes, ele aparece como crises de ansiedade, medo de novas gestações, dificuldades em estabelecer vínculos com o bebê ou mesmo depressão pós-parto.

Uma paciente que passou por psicoterapia relatou um sofrimento intenso sempre que lembrava do nascimento de seu primeiro filho. Durante anos, acreditou que tudo que havia vivido era normal. Somente após um período conseguiu reconhecer que havia passado por humilhações e ordens agressivas durante o parto. Entre os relatos, estavam frases de reprimenda e a realização da manobra de Kristeller, uma técnica de pressão abdominal criticada por diversas organizações médicas internacionais.

Após o parto, essa mulher enfrentou dores intensas e dificuldades de locomoção, além de um quadro de depressão pós-parto que não recebeu a devida atenção. Por muitos anos, mesmo com todo esse sofrimento, ela não conseguia usar a palavra "violência" para descrever sua experiência. Havia apenas uma sensação persistente de que algo não estava totalmente resolvido em sua vida.

Essa situação é refletida na vivência de muitas mulheres que, ao longo de suas vidas, aprenderam que o sofrimento faz parte da maternidade. Frases como "o importante é que o bebê nasceu saudável" acabam por deslegitimar a dor emocional e física enfrentada pelas mães. A violência obstétrica não se limita ao uso de força física; ela também se manifesta através da negligência, desumanização do cuidado e ausência de escuta durante um momento tão vulnerável.

Psicologicamente, o trauma ocorre quando a experiência ultrapassa a capacidade da mulher de compreender e elaborar emocionalmente o que está vivendo naquele momento. O corpo, então, registra essa experiência, e a memória emocional permanece ativa. O que não foi simbolizado retorna, muitas vezes, anos depois, através de sintomas emocionais e físicos.

Por isso, o acolhimento psicológico é fundamental. Quando uma mulher encontra um espaço onde sua dor é legitimada e ouvida sem julgamentos, ela pode reorganizar suas emoções e dar nome ao trauma vivido. Essa nomeação não aumenta o sofrimento; ao contrário, muitas vezes é o que permite que a dor deixe de atuar de forma silenciosa em sua vida.

Entender que sentimentos como medo, tristeza ou raiva em relação ao parto não a tornam uma mãe pior é um passo importante nesse processo de elaboração. Falar sobre violência obstétrica não deve incutir medo da maternidade, nem criar uma divisão entre pacientes e profissionais de saúde, mas sim promover uma maior conscientização sobre a necessidade de respeito e humanização no atendimento às mulheres durante o parto.

Desta forma, é crucial que a sociedade reconheça a violência obstétrica como uma questão séria que afeta muitas mulheres. O parto deve ser um momento de acolhimento e respeito, e não de sofrimento e humilhação. As experiências vividas por mães precisam ser ouvidas e validadas, permitindo que elas compreendam e lidem com suas emoções.

Além disso, é fundamental promover a formação de profissionais de saúde que estejam atentos às necessidades emocionais e físicas das parturientes. O cuidado humanizado deve ser uma prioridade, garantindo que as mulheres tenham autonomia e voz durante o processo de parto.

Entender e abordar a violência obstétrica também significa desmistificar a ideia de que o sofrimento faz parte da maternidade. Cada mulher tem o direito de vivenciar o parto de forma digna e respeitosa, sem medo ou pressão.

Por fim, é imprescindível que campanhas de conscientização e educação sejam realizadas para informar tanto os profissionais da saúde quanto as gestantes sobre os direitos das mulheres no momento do parto. Somente assim, será possível avançar na luta contra a violência obstétrica e garantir um tratamento digno a todas as mães.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.