São Paulo Confirma Sexta Morte e Décimo Caso de Febre Amarela em 2026
03 JUN

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 1 hora
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O governo do Estado de São Paulo informou, no início desta semana, a confirmação de mais uma morte por febre amarela, elevando o total de óbitos para seis em 2026. O falecimento ocorreu em Lençóis Paulista, na região de Bauru, envolvendo um homem de 54 anos que não possuía histórico de vacinação contra a doença. Com isso, já são 10 casos confirmados de febre amarela no estado até o dia 1º de junho.

Os dados epidemiológicos revelam que a maioria dos casos registrados está concentrada na região do Vale do Paraíba, onde foram anotar cinco casos, sendo que quatro deles resultaram em óbito, todos em Lagoinha. Outros dois casos foram identificados em Cruzeiro, sem mortes, e um em Cunha, que também resultou em falecimento. Os restantes dos casos foram notificados na região de Sorocaba, com um caso em Araçariguama e o óbito mais recente em Lençóis Paulista.

A febre amarela é uma arbovirose, ou seja, uma doença viral transmitida por mosquitos. Os principais vetores do vírus são os insetos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que atuam especialmente em ambientes silvestres. Embora a transmissão urbana pelo Aedes aegypti, conhecido por transmitir dengue, seja considerada rara, o risco de contração da febre amarela é maior em áreas rurais e de mata, onde turistas e moradores podem estar em contato direto com os mosquitos.

É importante esclarecer que, apesar de outros primatas também serem hospedeiros naturais do vírus, como os macacos, eles não transmitem a febre amarela para os humanos. A presença do vírus em macacos é utilizada como um indicador para monitorar a circulação do patógeno na região, podendo sinalizar riscos à população local. Recentemente, um macaco foi diagnosticado com febre amarela na cidade de Santo André, no ABC paulista, mesmo sem registros de casos em humanos naquela área.

Para se proteger contra a febre amarela, a vacinação é o método mais eficaz. O imunizante é recomendado especialmente para aqueles que nunca foram vacinados e que residem ou planejam visitar áreas onde a doença circula. A vacinação deve ser feita, idealmente, pelo menos 10 dias antes da viagem.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina está disponível com as seguintes orientações:

  • Crianças: Uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos.
  • Pessoas que receberam apenas uma dose antes dos 5 anos: Uma dose de reforço.
  • Pessoas de 5 a 59 anos que nunca foram vacinadas: Imunização em dose única.
  • Pessoas com 60 anos ou mais que moram ou vão para áreas de risco: Devem atualizar a vacina, desde que não haja contraindicação médica.

Além disso, aqueles que receberam a vacina fracionada durante o surto de 2018 devem completar o esquema vacinal, já que a proteção conferida por essa estratégia é limitada e expira em 2026.

Para pessoas que não podem receber a vacina, como bebês com menos de 9 meses e idosos com contraindicações, é essencial adotar medidas básicas de proteção contra os mosquitos. Isso inclui o uso de repelentes adequados e a instalação de mosquiteiros para evitar picadas.


Desta forma, a confirmação de mais casos de febre amarela em São Paulo reforça a importância da vacinação e das medidas de prevenção. A disseminação do vírus em áreas rurais e a quantidade de óbitos são alarmantes, exigindo atenção redobrada da população e das autoridades de saúde.

Em resumo, a vacinação deve ser encarada como uma prioridade, especialmente para aqueles que vivem ou planejam visitar regiões de risco. O governo deve intensificar as campanhas de conscientização sobre a necessidade de se vacinar e as formas de evitar picadas de mosquito.

Assim, é fundamental que a população compreenda que a febre amarela é uma doença grave e que a prevenção é a melhor estratégia para evitar novos casos e mortes. O investimento em campanhas de vacinação e informação pode fazer a diferença na proteção da saúde pública.

Finalmente, o monitoramento da circulação do vírus nos primatas é uma ferramenta importante para prever surtos. É necessário que a população esteja informada sobre os riscos e as medidas de proteção disponíveis, assim como a importância de notificar casos suspeitos às autoridades de saúde.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.