Vacinação de 1,2 milhão de profissionais de saúde contra a dengue é iniciada
11 FEV

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 2 meses
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A vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da atenção primária teve início nesta semana, com a meta de imunizar 1,2 milhão de trabalhadores que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde informou que, até o momento, foram distribuídas 650 mil doses da vacina aos estados, e a entrega do restante está prevista para os próximos dias.

A vacina utilizada nesse programa é uma formulação brasileira, desenvolvida pelo Instituto Butantan, que é de dose única, tetraviral e totalmente nacional. Segundo o Ministério, essa vacina representa um avanço significativo para a autonomia do Brasil na produção de imunizantes. O ministério também destacou que a vacinação dos profissionais de saúde é um passo estratégico para proteger aqueles que estão em contato direto com a população, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde que atuam nas unidades básicas de saúde.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que o início da vacinação abrange toda a equipe multiprofissional cadastrada no SUS. Ele enfatizou que esses profissionais são fundamentais no combate à dengue, pois visitam as residências, verificam a presença de criadouros do mosquito transmissor da doença e realizam o acompanhamento de possíveis casos.

A ampliação da vacinação para outros grupos, incluindo pessoas de 15 a 59 anos, começará no segundo semestre deste ano, dependendo do aumento da capacidade produtiva do Instituto Butantan. O Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 368 milhões para a aquisição de 3,9 milhões de doses da vacina. Além disso, foi implementada uma estratégia de vacinação para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue, que já está sendo realizada em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nesses locais, o público-alvo abrange adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.

O ministério também informou que a vacinação da população em geral será iniciada com o aumento da produção de doses, fruto de uma parceria estratégica entre o Brasil e a China. Essa colaboração permitirá a transferência da tecnologia desenvolvida pelo Instituto Butantan para a empresa chinesa WuXi Vaccines, aumentando a produção da vacina nacional em até 30 vezes. A vacina do Butantan demonstrou uma eficácia de 74,7% contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos, além de 89% de proteção contra formas graves da doença e sinais de alarme.

Público-alvo da vacinação:

  • Profissionais de saúde assistenciais e de prevenção, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, odontólogos, equipes multiprofissionais, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
  • Trabalhadores administrativos e de apoio das unidades de saúde, incluindo recepcionistas, seguranças, profissionais da limpeza, motoristas de ambulância, cozinheiros e outros trabalhadores atuantes nas unidades básicas de saúde.

Cenário epidemiológico:

No ano de 2025, os casos de dengue no Brasil apresentaram uma redução de 74% em relação a 2024, com um total de 1,7 milhão de casos prováveis registrados. O número de óbitos também caiu significativamente, de 6,3 mil mortes em 2024 para 1,7 mil mortes em 2025, representando uma redução de 72%. Apesar dessa queda expressiva, o Ministério da Saúde reforçou a importância de manter as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti em todo o território nacional.

Desta forma, a implementação da vacinação de profissionais de saúde contra a dengue é um passo crucial para o fortalecimento da saúde pública no Brasil. A proteção dos trabalhadores da linha de frente não apenas assegura a segurança deles, mas também reflete na saúde da população atendida.

A parceria com o Instituto Butantan e a estratégia de produção em colaboração com a China mostram um avanço significativo na capacidade do Brasil de produzir vacinas. Isso é especialmente relevante em tempos onde a autonomia na produção de imunizantes é fundamental para o enfrentamento de epidemias.

Além disso, a redução significativa dos casos e mortes por dengue nos últimos anos indica que as políticas de saúde pública estão começando a surtir efeito. Contudo, é crucial que os esforços de combate ao mosquito vetor da doença sejam constantemente intensificados.

Finalmente, a ampliação da vacinação para outros grupos etários ao longo do ano deve ser acompanhada de perto, garantindo que todos os segmentos da população tenham acesso ao imunizante. A saúde coletiva depende da proteção de todos.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.