Cerca de 20% da população pode ter lipoproteína elevada, risco de AVC e morte cardiovascular, diz estudo
16 MAI

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 9 dias
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Um novo estudo realizado com mais de 20 mil pacientes nos Estados Unidos apontou que aproximadamente 20% da população pode apresentar níveis elevados de lipoproteína(a), uma condição que, apesar de ser hereditária e geralmente assintomática, aumenta de forma significativa o risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e morte cardiovascular. Isso ocorre mesmo quando os exames convencionais de colesterol mostram resultados normais.

A pesquisa, que fez parte das Sessões Científicas de 2026 da Society for Cardiovascular Angiography & Interventions (SCAI) e do encontro da Canadian Association of Interventional Cardiology/Association Canadienne de cardiologie d'intervention (CAIC-ACCI) em Montreal, enfatiza a necessidade de testar os níveis de lipoproteína(a) para identificar riscos cardiovasculares mais efetivamente.

A lipoproteína(a), ou Lp(a), é uma partícula que transporta colesterol no sangue. Embora tenha semelhança com o LDL, frequentemente denominado “colesterol ruim”, a Lp(a) possui uma proteína adicional que pode torná-la ainda mais prejudicial ao sistema cardiovascular. Indivíduos com níveis elevados desse tipo de lipoproteína podem ter risco aumentado de doenças cardíacas, mesmo que seus níveis de colesterol total estejam dentro do intervalo considerado saudável.

Os especialistas estimam que cerca de 20% da população global tenha Lp(a) elevada, mas a maioria das pessoas não está ciente dessa condição, uma vez que ela não costuma apresentar sintomas. Embora a relação entre níveis elevados de Lp(a) e doenças cardiovasculares já fosse conhecida, o estudo buscou esclarecer as implicações dessa associação em indivíduos com e sem histórico de problemas cardíacos.

Para a realização do estudo, os pesquisadores analisaram amostras de plasma de 20.070 adultos com 40 anos ou mais, que participaram de estudos anteriores do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). As amostras foram avaliadas em um laboratório especializado e classificadas de acordo com os níveis de Lp(a): abaixo de 75, entre 75 e 125, entre 125 e 175 ou igual ou acima de 175 nmo/L. Além disso, foram consideradas as condições de saúde dos participantes, incluindo se já tinham doenças cardiovasculares.

A idade média dos participantes da pesquisa era de 65,2 anos, e 64,9% deles eram homens. Durante um acompanhamento que durou em média 3,98 anos, 1.461 eventos cardiovasculares sérios foram registrados, o que representa 7,3% do total de participantes. Aqueles com níveis de Lp(a) iguais ou superiores a 175 nmo/L apresentaram um risco significativamente maior de eventos cardiovasculares, morte cardiovascular e AVC.

Os resultados mostraram um aumento de 31% no risco de eventos cardiovasculares maiores, 49% para morte cardiovascular e 64% para AVC entre os indivíduos com níveis elevados de Lp(a). Diante dessa nova evidência, os especialistas reforçam a importância da realização de testes para a lipoproteína(a) em pacientes, principalmente em grupos de risco, para que possam ser feitos diagnósticos precoces e tratamentos adequados.

Desta forma, o estudo em questão revela uma questão de saúde pública importante. A alta prevalência de níveis elevados de lipoproteína(a) pode ser um fator de risco silencioso que afeta uma parcela significativa da população, muitas vezes sem que as pessoas estejam cientes.

Em resumo, a pesquisa destaca a necessidade urgente de conscientização sobre a lipoproteína(a) e a importância de realizar testes regulares. A detecção precoce pode abrir caminho para intervenções que previnam doenças cardíacas e AVCs.

Assim, é fundamental que médicos e pacientes estejam atentos a essa condição, mesmo quando os níveis de colesterol convencional estão dentro do esperado. Uma abordagem proativa pode fazer a diferença na saúde cardiovascular das pessoas.

Finalmente, a implementação de programas de rastreamento e educação em saúde pode ser uma solução viável. O acesso a informações e testes pode ajudar a mitigar o impacto dessa condição silenciosa, promovendo uma vida mais saudável para muitos.

Por fim, a sociedade deve se mobilizar para garantir que mais pessoas tenham acesso a testes de Lp(a). Iniciativas como essa podem ser fundamentais para reduzir os riscos e melhorar a qualidade de vida da população.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.