Diagnóstico Precoce da Esclerose Múltipla é Fundamental para Tratamento Eficaz
30 MAI

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 46 minutos
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A esclerose múltipla (EM) é a condição neurológica mais frequente entre adultos jovens, afetando aproximadamente 2,9 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo cerca de 40 mil apenas no Brasil. Comemorado anualmente em 30 de maio, o Dia Mundial da Esclerose Múltipla tem como foco a importância do diagnóstico precoce e preciso para garantir um tratamento eficaz. A campanha deste ano, intitulada "My MS Diagnosis: navigating MS together" ("Meu Diagnóstico de Esclerose Múltipla: navegando juntos pela EM"), ressalta as novas diretrizes para o diagnóstico da doença.

Em 2024, houve uma importante revisão dos "Critérios de McDonald", que desde 2017 servem como base para a detecção e tratamento da esclerose múltipla. As novas diretrizes foram divulgadas oficialmente em 2025, em um artigo na revista The Lancet Neurology. Essas alterações introduzem novos marcadores e visam aumentar a precisão dos exames, permitindo que o tratamento seja iniciado mais cedo. O neurologista Herval Ribeiro Soares Neto, do Einstein Hospital Israelita, afirma que a intenção é "antecipar o diagnóstico para prevenir sintomas e evitar sequelas".

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que ocorre quando as células do sistema imunológico atacam a bainha de mielina, que cobre os neurônios, essencial para a transmissão de impulsos elétricos. Essa agressão causa inflamação e pode resultar em lesões em áreas como o nervo óptico, a medula espinhal e o cerebelo. Os sintomas variam e podem incluir perda de visão, vertigens, desequilíbrio, perda de sensibilidade e dificuldades motoras. Em cerca de 80% dos casos, a doença se manifesta por surtos que duram semanas e podem apresentar melhora espontânea. No entanto, a recuperação total das funções afetadas nem sempre é garantida, dependendo da capacidade de remielinização do sistema nervoso.

O diagnóstico da esclerose múltipla é baseado em um exame clínico detalhado e no histórico médico do paciente, além de exames de imagem, como a ressonância magnética do cérebro e da coluna, e a análise do líquor. A doença provoca lesões em áreas específicas do cérebro ao longo do tempo, além do aumento de substâncias no líquido cefalorraquidiano, que podem servir como marcadores. A avaliação leva em conta o número de lesões, as regiões afetadas e a presença de marcadores, como as bandas oligoclonais e características das lesões.

Avanços tecnológicos têm contribuído para a precisão do diagnóstico. Atualmente, existem ressonâncias magnéticas avançadas que permitem visualizar essas lesões com mais detalhes, além de exames que identificam marcadores no líquor. "No Einstein, desenvolvemos um laudo estruturado de ressonância magnética específico para esclerose múltipla, que avalia a hipótese de forma sistemática", destaca Soares Neto. Esse recurso, aliado à análise de biomarcadores em exames de líquor, que é coletado por punção lombar, melhora significativamente a qualidade do diagnóstico.

Uma das inovações mais relevantes nas novas diretrizes é o reconhecimento de uma nova região para as lesões no sistema nervoso central, o nervo óptico, que se junta às quatro regiões já conhecidas: periventricular, juxtacortical/cortical, infratentorial e medula espinhal. Além disso, agora é possível diagnosticar pessoas que apresentam lesões visíveis nos exames de imagem, mas que ainda não manifestam sintomas, um avanço significativo em relação ao anterior, onde esses pacientes eram classificados como portadores de síndrome radiológica isolada. Segundo a neurologista Ana Cláudia Piccolo, coordenadora do departamento científico de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), essa mudança é crucial, pois permite iniciar o tratamento antes que a doença se manifeste, melhorando as chances de um prognóstico positivo.

No entanto, mais de 80% dos países ainda enfrentam desafios para realizar o diagnóstico precoce, como revelado pela 3ª Edição do Atlas da Esclerose Múltipla, publicada em 2021 pela federação internacional dedicada à doença. Essa dificuldade se deve à falta de conscientização sobre os sintomas e à escassez de profissionais especializados e equipamentos adequados. Muitas pessoas passam anos lidando com sintomas vagos, como fadiga, perda de equilíbrio ou visão embaçada, consultando diversos especialistas antes de serem encaminhadas para um neurologista.

De acordo com Piccolo, a porta de entrada para o diagnóstico muitas vezes é feita por ortopedistas, otorrinolaringologistas ou oftalmologistas. Mesmo quando o paciente chega ao especialista correto, isso pode ocorrer por conta de problemas não relacionados à esclerose múltipla, como enxaquecas ou traumas cranianos.

O tratamento da esclerose múltipla é personalizado, levando em consideração características da doença, número de lesões, estilo de vida do paciente e a presença de outras comorbidades. Nos últimos anos, os medicamentos têm se tornado mais específicos, permitindo evitar a progressão da doença com menos efeitos adversos. O neurologista Herval Soares Neto destaca que "a evolução dos tratamentos resultou em uma maior eficácia, reduzindo a chance de novos surtos e lesões no cérebro e na medula". Atualmente, existe uma probabilidade superior a 90% de prevenir novas lesões inflamatórias no cérebro com os tratamentos atuais, que incluem mais de dez opções de medicamentos para as fases agudas e prevenção de recorrências, focando principalmente em imunomoduladores.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.