Estudo revela causas da irritabilidade relacionada à fome
02 MAI

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 11 dias
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A ciência está avançando na compreensão de um comportamento comum que muitos já experimentaram: a irritabilidade que surge quando estamos com fome. Esse fenômeno, conhecido em inglês como “hangry”, que é a fusão das palavras "hungry" (faminto) e "angry" (bravo), é mais complexo do que aparenta. Recentemente, um estudo publicado na revista The Lancet eBioMedicine investigou se essa irritabilidade está mais ligada aos níveis de glicose no sangue ou à percepção que temos de estar com fome.

A pesquisa concluiu que a glicose realmente afeta as emoções, mas de maneira indireta. O estado de fome atua como um mediador. Isso significa que, quando uma pessoa não percebe que está com fome, a queda nos níveis de glicose não afeta tanto seu humor. O neurocientista Nils Kroemer, que é um dos autores do estudo, explica que, entre adultos, a sensação de "hangry" está mais relacionada à consciência da fome, o que pode nos ajudar a entender melhor as crises de irritabilidade frequentemente observadas em crianças.

O estudo, embora tenha mostrado resultados interessantes, foi realizado com um grupo pequeno de adultos saudáveis. Portanto, os pesquisadores ressaltam que é necessário validar essas descobertas em grupos maiores e em pessoas que sofrem de condições como obesidade ou transtornos alimentares. A endocrinologista Cynthia Valerio, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), afirma que esse tipo de estudo é essencial para gerar novas hipóteses e para que respostas mais precisas possam ser encontradas no futuro.

Um conceito importante introduzido pelo estudo é o de "interocepção", que se refere à habilidade do nosso corpo de perceber e interpretar sinais internos. A pesquisa mostrou que pessoas que têm maior precisão interoceptiva — ou seja, que conseguem "ouvir" melhor o próprio corpo — apresentam menos variações em seu humor. Essa consciência corporal pode atuar como um mecanismo de controle e proteção emocional. Quando sabemos que nossa irritabilidade é causada pela fome, podemos simplesmente comer algo e nos sentir melhor, afirma Kroemer.

Um grande risco, no entanto, é a desconexão entre o corpo e a mente. Se uma pessoa não identifica que seu desconforto é devido à fome, seu cérebro pode atribuir esse mal-estar a fatores externos, resultando em conflitos ou angústia sem uma causa aparente. O médico nutrólogo Diogo Toledo, do Einstein Hospital Israelita, complementa que a fome não é apenas um número na glicemia; ela é uma experiência que o cérebro constrói a partir de múltiplos sinais.

O estudo sugere algumas práticas que podem ajudar as pessoas a reconhecer melhor os sinais de fome. Por exemplo, é importante diferenciar entre fome física e fome emocional. A fome física geralmente surge lentamente e aceita qualquer tipo de alimento, enquanto a fome emocional aparece subitamente e frequentemente exige alimentos que trazem conforto imediato, como doces ou salgadinhos.

Algumas ferramentas úteis incluem manter um diário alimentar, onde o paciente registra seu estado emocional antes de comer e classifica sua fome em uma escala de zero a dez. Além disso, práticas de atenção plena durante as refeições — como comer sem distrações, mastigar devagar e prestar atenção na sensação de saciedade — podem melhorar a forma como o cérebro interpreta os sinais metabólicos.

O estudo também revelou que pessoas com índice de massa corporal (IMC) mais elevado, ou seja, que estão acima do peso, tendem a ter uma precisão interoceptiva menor. Isso significa que esses indivíduos podem ter dificuldade em perceber se estão realmente com fome, muitas vezes comendo apenas porque é hora de comer ou porque os outros estão comendo ao seu redor. Essa desconexão pode ter raízes biológicas, já que o excesso de gordura visceral gera inflamações que afetam os circuitos cerebrais que controlam o apetite. O dr. Diogo Toledo afirma que reverter esse quadro é possível, mas exige tempo e uma abordagem que vá além de simplesmente mudar a dieta.

Além disso, a pesquisa mostrou que a relação entre o estado metabólico e o humor é mais acentuada entre as mulheres, possivelmente devido às variações hormonais que ocorrem ao longo do ciclo menstrual. Essas alterações podem impactar a sensibilidade à insulina e o apetite, tornando necessário que o planejamento alimentar leve em conta essas flutuações para garantir estabilidade emocional.

Desta forma, a compreensão da relação entre fome e humor revela a importância de se estar atento aos sinais do corpo. O estudo destaca que a irritabilidade não é apenas uma questão de falta de alimento, mas sim um reflexo da desconexão entre mente e corpo. Essa desconexão pode gerar conflitos e mal-estar desnecessários, mostrando que o ato de comer vai além da saciedade física.

Em resumo, ao reconhecer os sinais de fome e praticar a interocepção, as pessoas podem melhorar sua saúde emocional e prevenir crises de irritabilidade. O estudo também indica que as estratégias para lidar com a fome devem ser mais abrangentes, integrando a alimentação saudável com a consciência emocional.

Assim, a pesquisa abre portas para novas abordagens no tratamento de condições relacionadas à alimentação, especialmente em populações vulneráveis. A necessidade de validação em grupos maiores é fundamental para que as hipóteses apresentadas possam ser confirmadas e aplicadas na prática clínica.

Finalmente, a conscientização sobre a interocepção e suas implicações deve ser um foco nas discussões sobre saúde mental e nutrição. A conexão entre o estado metabólico e emocional é um passo importante para promover bem-estar e prevenir problemas relacionados à alimentação.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.