MPT solicita proibição do glifosato, principal agrotóxico global, no Brasil
27 MAI

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 3 dias
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O Ministério Público do Trabalho (MPT) apresentou uma ação civil pública no Distrito Federal pedindo a proibição do uso do glifosato, um dos agrotóxicos mais utilizados no mundo, especialmente em cultivos de soja transgênica. A solicitação também inclui a acusação de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estaria agindo com lentidão na revisão e fiscalização de substâncias já existentes no mercado, que apresentam riscos à saúde e ao meio ambiente.

A ação, protocolada na última sexta-feira (22), destaca que o uso do glifosato representa um sério risco à saúde dos trabalhadores rurais e indígenas, além de causar prejuízos ao meio ambiente, como a contaminação das águas. Nos Estados Unidos, a Bayer, responsável pela comercialização do glifosato, enfrenta processos judiciais que somam bilhões de dólares, movidos por trabalhadores que alegam ter desenvolvido câncer após a exposição ao produto.

Pesquisas científicas associam o glifosato a uma variedade de 28 doenças graves, incluindo câncer, Alzheimer e infertilidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já classificou o glifosato como potencialmente cancerígeno desde 2015. Além disso, um estudo que afirmava a segurança do composto foi retratado por fraude, revelando a interferência de funcionários da fabricante na sua elaboração.

O procurador Leomar Daroncho, um dos responsáveis pela ação, afirma que o MPT criou um grupo de trabalho em 2023 para investigar os impactos dos agrotóxicos na saúde. Ele ressalta que o objetivo não é atacar os produtores, mas buscar alternativas mais seguras e sustentáveis. "Queremos promover o desenvolvimento sem expor a saúde dos trabalhadores, que muitas vezes são também os proprietários das terras", destaca.

A ação também critica a Anvisa por aprovar rapidamente novos agrotóxicos enquanto demora na reavaliação de produtos já em uso, que apresentam riscos à saúde. Até o momento, a Anvisa não se manifestou oficialmente sobre o assunto.

O procurador Daroncho cita um parecer da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) que detalha os efeitos nocivos do glifosato. Segundo o documento, a exposição contínua ao produto pode levar ao acúmulo da substância no organismo, o que aumenta os riscos de desenvolver doenças graves, como câncer.

Além disso, a ação faz referência a estudos que mostram que o glifosato afeta a microbiota intestinal, eliminando bactérias benéficas que desempenham funções essenciais na saúde humana. O procurador lembra que, em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer classificou o glifosato como potencialmente cancerígeno para humanos, reforçando a necessidade de uma ação rápida por parte das autoridades.

Historicamente, um estudo de 2000, que afirmava que o glifosato não representava riscos à saúde, foi posteriormente retirado de uma revista científica devido a problemas éticos e de integridade acadêmica, o que levanta ainda mais preocupações sobre a segurança do uso desse agrotóxico.


Desta forma, a ação proposta pelo MPT para proibir o uso do glifosato no Brasil destaca uma questão de saúde pública que não pode ser ignorada. As evidências científicas que associam o agrotóxico a diversas doenças graves exigem uma resposta urgente das autoridades. A lentidão da Anvisa em reavaliar substâncias já conhecidas por seus riscos é alarmante e precisa ser abordada com a seriedade que o tema requer.

Em resumo, a proteção da saúde dos trabalhadores rurais e da população em geral deve ser priorizada, especialmente em um país onde a agricultura é uma das principais atividades econômicas. A proposta do MPT vai além de um simples pedido de proibição; é um chamado para a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis e seguras.

Assim, os dados apresentados na ação civil pública reforçam a necessidade de uma revisão crítica sobre o uso de agrotóxicos no Brasil. O que está em jogo é a saúde de milhões de brasileiros, que podem estar expostos a substâncias prejudiciais sem o devido controle. A sociedade precisa de transparência e responsabilidade por parte das agências reguladoras.

Finalmente, é essencial que o debate sobre o uso de agrotóxicos inclua a voz dos especialistas e dos próprios trabalhadores que enfrentam as consequências diretas dessa exposição. A busca por alternativas menos tóxicas deve ser uma prioridade, não apenas para proteger a saúde, mas também para garantir um futuro sustentável para a agricultura brasileira.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.