Estudo revela que 27% dos brasileiros desconhecem a possibilidade de prevenção do câncer
03 JUN

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 59 minutos
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Um estudo recente revelou que 27% dos adultos brasileiros não têm conhecimento de que o câncer pode ser prevenido. Essa informação faz parte do relatório intitulado "Mais Dados Mais Saúde — Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer", realizado pela Umane e Vital Strategies, com o apoio do Instituto Devive e a parceria técnica do Instituto Nacional do Câncer (INCA). A pesquisa ouviu 6.566 pessoas em todo o Brasil entre setembro e outubro de 2025.

As estimativas do INCA indicam que o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer entre 2026 e 2028. Apesar disso, uma parcela significativa da população ainda acredita que a doença é inevitável, o que pode ser um obstáculo para a adoção de hábitos que ajudam na sua prevenção. Este estudo é o primeiro levantamento nacional que analisa o que os brasileiros sabem e pensam sobre a prevenção do câncer.

De acordo com especialistas, até 40% dos casos de câncer podem ser evitados por meio de mudanças no comportamento e na exposição a fatores ambientais. No entanto, a crença de que a doença é uma condição predeterminada pode dificultar a adoção de atitudes que protejam a saúde.

Entre os fatores que a população reconhece como de risco, o tabagismo é o mais identificado, com 90,5% dos entrevistados cientes de que fumar aumenta as chances de desenvolver câncer. Fatores como herança genética e exposição solar excessiva também são amplamente reconhecidos, com 89,4% e 88,3% respectivamente. Essas informações têm recebido ampla cobertura na mídia e campanhas de conscientização.

Por outro lado, outros fatores de risco importantes não são tão reconhecidos. Apenas 54,1% da população associa o excesso de peso ao câncer, enquanto 55,3% e 53,3% reconhecem as bebidas adoçadas e a baixa ingestão de frutas e verduras como fatores de risco, respectivamente. O sedentarismo é identificado por 48,3% dos entrevistados, e apenas 27,5% reconhecem a carne vermelha como um fator de risco.

A pesquisa também apontou algumas crenças equivocadas. Mais de 61% dos brasileiros acreditam que suplementos de vitaminas e minerais ajudam a reduzir o risco de câncer, apesar de não haver evidências científicas que comprovem essa afirmação. A recomendação dos especialistas é sempre priorizar a alimentação saudável, que deve ser rica em alimentos in natura.

Outro dado alarmante é que quatro em cada dez brasileiros não reconhecem o aleitamento materno como um fator de proteção contra o câncer de mama. Estudos mostram que amamentar pode reduzir o risco de câncer para quem amamenta, sendo que quanto mais tempo a mãe amamenta, maior o benefício.

Em relação aos hábitos alimentares, cerca de 45% dos entrevistados afirmaram consumir alimentos ultraprocessados e tentam reduzir esse consumo. A situação é diferente para a carne vermelha, onde 45% dos entrevistados não tentam reduzir o consumo, refletindo a baixa consciência sobre esse fator de risco. O consumo elevado de carne vermelha no Brasil, um dos maiores produtores de gado do mundo, gera preocupação.

Os jovens, especialmente aqueles com até 24 anos, apresentam os piores indicadores de consumo de alimentos saudáveis e maior ingestão de ultraprocessados. A pesquisa revela que 86,3% da população diz consumir frutas, legumes e verduras, mas a educação sobre alimentação saudável ainda é necessária.

Sobre a atividade física, 52,2% dos entrevistados relatam praticar alguma atividade, mas entre aqueles que não praticam, 39% desejam começar. No entanto, pessoas com renda menor têm menor conhecimento sobre o sedentarismo como fator de risco.

Em relação ao consumo de álcool, apenas 71,3% reconhecem que ele está associado a vários tipos de câncer. Metade da população não consome bebidas alcoólicas, mas a redução do consumo ainda é uma preocupação, especialmente entre os jovens.

Desta forma, os dados apresentados pelo estudo reforçam a necessidade urgente de campanhas de conscientização sobre a prevenção do câncer. A falta de informação precisa e acessível pode levar a um aumento do número de casos, especialmente em uma população que já enfrenta tantos desafios em relação à saúde.

O desconhecimento sobre a prevenção é alarmante, e isso se reflete diretamente nas estatísticas de doenças. Adotar hábitos saudáveis não deve ser visto como uma tarefa difícil, mas como uma mudança necessária para a proteção da saúde a longo prazo.

Assim, é fundamental que ações educativas sejam implementadas, visando informar a população sobre os riscos e a importância de escolhas saudáveis, além de incentivar a prática de atividades físicas regulares.

Por fim, o papel das instituições de saúde é crucial nesse processo. Elas devem atuar de maneira coordenada para garantir que a informação chegue a todos, especialmente em comunidades com menos acesso à educação e a serviços de saúde.

Encerrando o tema, é importante destacar que a prevenção do câncer é um assunto que deve ser discutido amplamente, e a população precisa ser empoderada com informações que realmente ajudem na promoção da saúde.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.